sábado, 8 de janeiro de 2011

LARRY VANN - Sitting In Limbo

TEMPO...TEMPO...TEMPO


Conheço uma galera de gente que dizem nunca ter tempo para fazer as coisas mais necessárias. Sempre ocupadas demais, não sabem com quê. Nenhum momento disponível para escrever um e-mail, um bilhete, para uma palavra de amizade a um parente ou a uma pessoa amiga. Nenhum minuto para dar um telefonema de parabéns ou mesmo dizer qualquer palavra amável a alguém que teria grande alegria com essa atitude. Nenhum segundo para uma leitura proveitosa, para visita a um site, para um acréscimo ao conhecimento de utilidade, para um brilhozinho na cultura e na atualização do que anda acontecendo no mundo. Conheço uma galera de gente que só têm olhos para o que nada acrescenta de melhor à própria vida. Conheço-as e tenho pena de todas elas, pobres coitadas...

É que não existe nada no mundo mais importante do que o tempo, a correta administração do tempo, esse ente incompreensível que só é longo quando a criatura vive e ou se encontra mergulhada no sofrimento e na dor. O tempo passa devagar só nas horas em que ele deveria correr mais depressa, quando estamos na angústia da espera de que ele logo se acabe, seja no leito da doença, seja na fila interminável que nunca anda. É difícil dispormos de tempo para todos os compromissos, mesmo aqueles bem distribuídos na agenda mental ou até na de papel ou do computador, principalmente aquele tempo que costumamos dizer que vale ouro, patrimônio sagrado que ninguém tem direito de malbaratar sem graves danos.

“Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra depois de solta pela mão, a palavra depois de proferida, a ocasião depois de perdida, e o tempo depois de passado”. Não me perguntem quem disse isso, que foi um tal de H. Riminaldo, que não sei quem é... Mas, que ele está certo, isso está, inclusive por mais isso: “A maior parte do nosso tempo, passa-se a passar tempo”. Trezentos e sessenta e cinco dias do ano podem ser comparados a trezentas e sessenta e cinco áreas de plantio, cotas igualmente distribuídas para cada um em particular e para todos em conjunto, cada qual com certa liberdade de cultivá-las, dependendo do modo de pensar e agir.

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”, diz o Eclesiastes no início do capítulo três. “Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de ri; tempo de prantear, e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de fartar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de estar calado, tempo de falar; tempo de amar, e tempo de aborrecer; tempo de guerra, tempo de paz”.

Assim, há tempo para tudo, para a sublimação do santo, para a beleza do ato heróico, para a grandeza do sábio, para a angústia do penitente, para a provocação, para a alegria da simplicidade e até para a crueldade do malfeitor de qualquer grau. É o tempo um caudal de angústias e de tribulações para quem não saiba vivê-lo, ou simplesmente um limbo de inexistências par quem o deixe passar sem idéias do que fazer. Tempo é mar de ondas que nunca voltam, é chuva que passa sem obstáculos, um relógio de corda sem fim...

E como você teve tempo de terminar... Perdoe-me se tomei muito do seu tempo!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Lenine - "É O Que Me Interessa" - Trama Radiola 30/08/09

Gwen Stefani - The Sweet Escape ft. Akon

KINGS OF LEON - USE SOMEBODY HQ (with lyrics)

overkill- by men at work (with lyrics)

O PINGUÇO & OS 300 PICARETAS


Chegou ao fim a era do presidente metalúrgico, quase analfabeto, retirante nordestino e monoglota com grandes dificuldades em seu idioma pátrio. Também chegou ao fim o governo do mollusco, que se acha o cara mais amado e popular da história da República, dos panacéicos avanços sociais e do silêncio opressivo das opiniões. Chegou ao fim a administração campeã em inaugurações de pedras-fundamentais, obras imaginárias e das verdades inventadas. Apaga-se a luz da ribalta onde o artista desfiou seu novelo, sempre cercado de uma plateia de picaretas pronta a rir, aplaudir e endeusar qualquer macaquice da estrela-mor.

Acabou o tempo do falso ineditismo, do nunca antes na história deste país. Acabou o tempo do tal cara que refundou o conceito de eleitor e de cidadão, transformando-os em beneficiários ou despossuídos. Fecham-se as cortinas para o espetáculo do ator que chancelou o top-top e os recursos não contabilizados, que abraçou carinhosamente bandidos, mensaleiros e sanguessugas e que beijou a mão de reis, rainhas e, sobretudo, dos oligarcas feudais brasileiros. A contagem regressiva dos últimos minutos de 2010 também são a poeira de tempo que marcará nosso adeus eloquente ao Ali-Babá tupiniquim. Pena que os quarenta ladrões ainda continuarão soltos e na ativa. Por pouco tempo, espero.

Há exatos oito anos, o Brasil festejava o fim da linha de um presidente letrado e de didática e diplomática economia. Meu querido Fernando Henrique Cardoso deixou o Palácio do Planalto com a popularidade em baixa e sob intensos protestos à sua gestão. Isolou-se. Viu seus sucessores tucanos serem aniquilados pelos insuportáveis petralhas da falange dos vermelhos e, principalmente, pelo mollusquismo. Mas, com a pertinência do tempo ultradinâmico que vivemos, quis a História que seu legado fosse rapidamente reconhecido e consagrado, mesmo que a despeito da cambadas dos petralhas x partidão parasita que atualmente governa o país, os corações e as mentes. Em seu silêncio contemplativo, FHC é um dos homens mais importantes da contemporaneidade.

Farsa criada por uma esquerda que provou-se dialeticamente corrupta, mollusco ainda acredita que dominará o curso das páginas históricas. Acusa de loucos aqueles que discordam de sua autoproclamada opinião pública. É a glória dos nauseabundos professores marxistas que infestam nossas escolas e universidades e que, mesmo laureados, continuarão a ganhar tão pouco quanto sua teoria falida. E Lula, o homem, não o molusco, verá seu império prestidigitador ruir. Ainda que seu nome, inconstitucionalmente, substitua Tupi, continuará no fundo do poço de si mesmo, fã de sua própria imagem e iludido com o altar de deus por ele criado e de onde considera-se inamovível. Por algum tempo permanecerá no imaginário de sua quase unânime e duvidosa popularidade. Mas o tempo ser-lhe-á cruel. Passará à História como um bufão, ufano e pinguço, titular do governo mais larápio e bravateiro que esse país já conheceu.

É na Inglaterra do século XVI, às margens de sua Era de Ouro, que encontramos uma grande lição sobre o poder e a memória do povo. Ao ser preso por sir Francis Walsingham, acusado de traição e conspiração contra a rainha Elizabeth I, em 1571, o quarto duque de Norfolk disse: “Corte minha cabeça. Faça-me um mártir. Mate-me e todos jamais se esquecerão de mim”. Muito sábio e perspicaz, Walsingham ordenou sua prisão e, antes do machado cair sobre o pescoço de Norfolk, concluiu: “Sim, eles vão esquecer-te”. E podem apostar: mesmo que sua alcunha cefalópode emplaque um poço de petróleo, mollusco será esquecido. Ou pior: se lembrado, o será por suas bizarrices, pelo populacho de suas ações e expressões e pelo ufanismo que o consumiu no poder. Finalmente seus acéfalos dias de poder chegaram ao fim. Adeus, presidente mollusco pinguço!