domingo, 26 de abril de 2009

PROMESSA


Dentre as muitas frases que eu já ouvi, quando ainda sonhava que o simples fato de crescer no tamanho e idade me faria magnata, tem uma que jamais esquecerei: “Fulano comeu a promessa com farinha...”

No começo, até que custei a entender, pois o que me vinha à mente era um entalo asfixiante, que a própria imaginação se doendo pela minha aflição me arranjava um copo com água e tudo se resolvia. O jargão dizia que aquele fulano não tem palavra, é ruim no trato, não cumpre o que promete.

No ano passado, li um panfleto quando caminhava pela movimentada Av.Rio Branco, procurando um endereço. Alguns manifestantes que objetivavam orientar a população em relação aos políticos que se embalsamavam na intenção de esconder as vísceras putrefatas da vida pública. Entregavam os papéis e diziam para votar com consciência. Achei tão interessante que literalmente decorei grande parte do que expressava o texto. Não sei se estará na ordem, mas a ideia se concatena, para atualizarmos a frase que entoa o hino da desilusão: comeram com farinha, tudo aquilo que nos prometeram.

Falavam os dizeres que estávamos em ano de eleição e daí aparecia todo tipo de candidato querendo ganhar seu voto. Muitos deles de você só querem o voto, pois, quando forem eleitos, farão aquilo que lhe for mais conveniente para o bolso. Deixando assim o povo para a segunda chamada. Isto porque, geralmente, não temos o hábito de fazer como o índio Juruna, de gravar as promessas dos candidatos para cobrar depois de eleitos.

Mas, como identificar um candidato mentiroso que tem certeza que a situação pós-eleição não será mágica, mas insiste em pregar utopia? É simples. Esse candidato tem o seguinte perfil: acha soluções para todos os problemas, inclusive não deixa dúvidas quanto a conseguir recursos para resolver, caso seja eleito. Fazer mais que seu opositor, reduzir impostos, acabar com a indústria da multa e legalizar taxistas,vans,etc. Mais:critica as ideias do seu adversário do que apresenta as suas.

Ao ser questionado sobre um fato polêmico, ele se esquiva e se defende com balbuciações. Tem uma incrível capacidade de só dizer aquilo que você quer ouvir. Diz que já foi e está sempre sendo ameaçado de morte, por estar ao lado de quem mais necessita, brigando com os poderosos. Como se ele não fizesse parte desse rol.

Mesmo sendo político, insiste em denegrir a imagem da política. E tenta resolver as coisas que não são de sua competência. Mas essa tentativa é paulatinamente desenhada com uma mão hipócrita. Que bate nas costas do eleitor com tapinhas de carinho. Vale tudo quando o objetivo é vencer a pequena opinião política venal de grande parte desses. O resto é esperar que, com suas definhadas percepções do que é política, se atraquem e decidam o melhor para o futuro. Como enfatizou Maquiavel, os fins justificam os meios...

Moral da história

E por falar em promessas, seu José das Verdades, morador de Caxias, foi encontrado deitado em um ponto de ônibus no terminal menezes cortes(na central do brasil), na manhã deste domingo dia 26.04.09. Ele havia saído no dia anterior para aproveitar a (xepa) comprar algumas verduras a preços mais baixos, já que recebe apenas o bolsa-familia.

É analfabeto, idoso e desempregado. Graças a Deus estava vivo, dormiu sobre as sacolas plásticas em que estavam tomates, laranjas, abóboras e alguns quiabos com batatinhas. Ali amassado e cheirando perdidos estavam também pés de frangos, escurecidos pela necrose do tempo.

Sem sinal de embriaguez, sorria tímido e envergonhado por ter causado desconforto no lar com a não chegada em casa. Trêmulo, disse que sentia fome e frio, e explicou o que aconteceu. Chorando com decepção, disse que, após comprar as coisas, seguiu para o ponto do onibús, mas foi informado de que as moedas que tinha em mãos não era suficiente para ele enbarcar. Sem acreditar ainda, tentou argumentar para o motorista que era eleitor de Eduardo Paes e que ele havia prometido ajudar os pobres e não infernizar ainda mais com a vida deles. O motorista sorriu e arrancou soprando fumaça. No choro, seu Zé soluçava e mostrava um número do candidato Eduardo Paes pregado em cima do Sagrado Coração de Jesus, que estava na humilde carteira onde as intactas moedas se amontoavam em um canto.

Enquanto isso, passa na avenida um carro de luxo de vidros semi-abertos tocando uma conhecida canção do seu Zé das Verdades: Dia novo vem chegando,/e a gente falando de coisas da vida,/ ainda na boca um gosto,/da vida um desgosto...

BJKS DA VAN

domingo, 19 de abril de 2009

CURIOSIDADE

Esta pergunta é da miserável curiosidade nossa. E não adianta negarmos, porque mesmo que pensemos em negar, já a fizemos um sem numero de vezes. Sempre aparece mesmo que por milésimos de segundos em nosso subconsciente. Basta por exemplo, que encontremos algum conhecido com um pacote de alguma loja ou enrolado para presente debaixo do braço ou na mão.

O certo é que na maioria das vezes ficamos também sema resposta, mesmo que se pergunte, e até por vezes, como resposta se recebe uma evasiva como “uma lembrancinha que comprei para o fulano pelo aniversário dele”. Quem nos manda ser curiosos! Desde quando nos interessa o que os outros compram ou deixam de comprar e mais ainda, para quem estão comprando.

Aliás, tem um ditado antigo que diz que a curiosidade matou o gato, ou outro que alerta que ela deixou o macaco com a mão presa na cumbuca.

Mas também ela gera desconfiança, e das brabas. Quando o presente é para nós em festa de amigo oculto, por exemplo, ficamos na dependência de gostar ou não. Primeiro a curiosidade, depois a satisfação ou decepção.

Da mesma maneira tratamos os seres humanos em nossas relações. Quando conhecemos uma pessoa nem sempre temos essa curiosidade de saber o que tem dentro, não é verdade? Na maioria das vezes, somos enganados pela embalagem, e é justamente aí, que deveríamos fazer sempre, primeiro, a mesma pergunta.

O que será que tem dentro?

Não seria o caso então de sermos velhas raposas? Mas nem sempre somos!

Uma pessoa de bela aparência fino trato, jamais será um escroque! Mas às vezes é, e como é!

No trato com as pessoas, dizia um velho amigo, que original só mesmo as peças Wolksvagen, e assim mesmo alerta que, com total garantia, as de antigamente. Principalmente depois que foram criados cursos especiais para contatos, onde a relação para com as outras pessoas, nem sempre escaparam das aulas.

Pois é!

E agora, que tal se nos perguntássemos: o que nós temos dentro? Ou será que seria nos pedir demais? Hum...

Na verdade, somos todos um pacote, com papel colorido ou comum, uma caixa vazia ou cheia.

Não importa. Basta dar uma espiadinha.

Putz! Só nos falta achar um daqueles “dano ninhos” que valiam por um bifinho!

É ruim, hein?

BJKS DA VAN

sexta-feira, 17 de abril de 2009

GRATUIDADE & INSPIRAÇÃO



Foi enquanto jogava uma partida de bilhar que Mozart teve a inspiração para a melodia do quinteto da aplaudidíssima “Flauta Mágica’!

Berlioz surpreendeu-se cantarolando uma frase musical que durante muito tempo procurava em vão, ao vir à tona após um mergulho, durante um banho no Tibre...

Ninguém jamais imaginária que o grande químico Kebulé “viu” os átomos dançando no ar (e assim concebeu sua teoria dos agrupamentos atômicos) durante uma viagem no alto de um ônibus de dois andares em Londres!

Foi num rasgo de inspiração durante uma caminhada pelo campo de golfe que James Watt descobriu que o desperdício de calor, nas máquinas de vapor incipientes à época, podia ser evitado por meio de condensação do vapor!

Estudando e pesquisado a história, trajetória dos gênios e suas grandes invenções que marcaram o destino da humanidade, percebemos facilmente que muito mais do que se pensa, o acaso e a intuição tiveram um papel surpreendente na vida e na obra destas criativas e sensacionais personagens que contribuíram significativamente para o progresso da ciência, da arte e da cultura planetária!

Cada um tinha seu “modo operante”, manias e seu modo de “facilitar” a descoberta de grandes idéias e de soluções mágicas...

Haydim, autor de 104 sinfonias e centenas de outras composições, costuma-se recolher ao seu oratório, com o terço na mão, o que provocava um fluxo extraordinário de novas idéias que brotavam sem cessar enquanto rezava...

Van Gogh retratava e discorria sobre uma “terrível lucidez”, que experimentava em certos momentos de sua vida, quando a natureza estava em festa...! “Naqueles dias mal tinha consciência de mim mesmo e os quadros me vinham como um sonho!”

O notável Shakespeare gostava do símbolo do crescimento da planta, sugerindo que deixássemos que se abrissem nossas folhas, como uma flor. “E sejamos passiveis e receptivos desabrochando pacientemente”...!

Sir Isaac Newton costumava “dormir sobre o caso”, quando nas primeiras tentativas não produzia os resultados esperados: “não faz mal, amanhã às sete horas terei a solução”, exclamava ele antes de ir tranqüilo e confiante para a cama!

Thomas Edson acreditava muito mais às suas “adivinhações” do que propriamente nos cálculos e teorias matemáticas de seus opositores e invejosos contemporâneos que não conseguiam entender o brilho e a genialidade de suas invenções no campo da eletricidade...

A história e a biografia dos grandes gênios, cientistas, artistas e inventores estão repletos de certas “verdades” e “explosões” do inconsciente que reforçam certo mistério em torno de nossa capacidade e processo criativo, à disposição de qualquer um de nós, desde que estejamos abertos e receptivos ao fluxo inspirador que jorra incessantemente sobre a mente de todos nós.

É claro que algumas dicas e recomendações se colocadas em prática de uma forma constante e disciplinadas ajudam a “facilitar” esta conexão com a “Fonte Suprema”, como por exemplo, momentos de relaxamento, contemplação e abandono da pressa!

No mais é curtir os bons momentos, buscar ajudar quando necessário e entregar às estrelas nossos pedidos e dificuldades, cujas soluções chegarão com um novo brilho do sol!

EM TEMPO:Meu blog PSICOLOGIA & FILOSOFIA está completando 2 anos de existência. Aos amigos e leitores meus agradecimentos pelas congratulações desejadas.



A maioria das transformações das últimas décadas principalmente na sociedade ocidental, manifesta o tom extremista, ou a busca intensa de novidades, precocidade, impaciência, pressa, inovação constante, relações efêmeras e baixo limiar de frustração. São comportamentos, atitudes ou sonhos que sempre estiveram presente ou latente, mas que parecem intensificar cada vez mais a carga crescente de estímulos que todos recebemos. Reconhecer que muitos dos nossos sentimentos e comportamentos são decorrentes de nossos pensamentos é o princípio que norteia a técnica de psicoterapia cognitivo-comportamental, criada por Aaron Beck nos anos 60. Assim faz-se necessário aprender a identificar as armadilhas e distorções dos nossos pensamentos para termos a chance de remodelá-lo e podermos sentir melhor. Os pensamentos para serem considerados saudáveis devem preencher os critérios de validade e utilidade.

Por validade entenda-se o pensamento mais próximo da realidade e da verdade, que pode ser distorcido na avaliação da quantidade, gravidade e freqüência. Por exemplo, se uma situação seja ela uma brincadeira, uma aula, uma festa ou uma entrevista para um trabalho teve o resultado mediano e o pensamento for algo do tipo: sou um desastre, não faço nada direito, não deu tempo de brincar nada, estraguei tudo, a sensação de tristeza e frustração será proporcional ao drama da frase e não da situação normal.

Pensamentos tudo ou nada do tipo 8 ou 80 é muito encontrado atualmente inclusive em crianças que quando algo não foi 100%%, em vez de dizer que foi 50, 60 % fala-se “foi uma droga”, “estraguei tudo”, “estou perdido(a)”. Para corrigi-la deve se relativizar a situação em vez de achar que existem apenas duas categorias extremas.

Pode ocorrer um erro na dimensão do tempo e um evento único ou ocasional pode ser sentido como uma regra fatídica, com falas do tipo “sempre sobra para mim” ou “eu nunca me controlo”.

Conclusões precipitadas antes de ter elementos ou evidências suficientes para tirar conclusões, automaticamente prevê-se que vai acontecer um desfecho para si mesmo como “eu vou desmaiar no dia da apresentação da monografia”, “ nunca mais vou gostar de ninguém”. “Eu tenho que”: Conceber como uma obrigação ou ordem, algo que seria bom ou que você escolhe fazer serve para todos. A sensação desagradável sugerida por esta expressão poderia ser minimizada se fosse pensado e dito: “eu escolho fazer”. Quando situações circunstanciais são encaradas e rotuladas negativamente como “você é uma chata”, “eu sou um bobo” também são distorções de pensamento e podem ser substituídas por “eu me enganei” ou “você está me incomodando”.

Outras vezes no lugar de entender as situações como sendo complexas e influenciadas por vários fatores nos culpamos ou colocamos a culpa nos outros.

Para entendermos a utilidade de nossos pensamentos, vamos responder a pergunta: afinal quem sou eu? A resposta pode revelar crenças centrais distorcidas e aprendidas ao longo de nossas vidas como: “eu não sou confiável”, “sou diferente” que devem ser corrigidas através da análise das evidências que vão contra ou a favor destas crenças. Responder sobre qual a utilidade de se manter estes pensamentos também ajuda a clarear a situação.

Para poder corrigir essas armadilhas do pensamento, que geram sentimentos e emoções como ansiedade, raiva ou depressão procure um psicólogo cognitivo comportamental que lhe ensinará a identificar e fazer o registro de seus pensamentos automáticos e planejar desenvolver pensamentos adaptativos. Uma das primeiras estratégias é analisar se o pensamento contem palavras que indicam extremos e generalizações como tudo/nada, sempre/nunca, todos/ninguém, somente, super, muito, mesmo. Quando se fala: eu sempre faço tudo errado inclui as palavras tudo e mesmo. Perguntar-se: é sempre que faço tudo errado ou seria mais realista dizer que de vez em quanto faço algumas coisas erradas? Já fiz coisas certas? Eu já me sai melhor em outras situações? Continuando você pode fazer perguntas mais amplas e relativistas como: há outro modo de interpretar a situação? Há outros fatos atenuantes para o que ocorreu? Outra pergunta interessante é: o que eu diria a um amigo meu?

Após estas considerações podemos perceber que ao substituirmos pensamentos distorcidos e exagerados por outros mais realistas e ponderados, ocorre rapidamente uma melhora dos sentimentos e das emoções. Como teste, pense por um momento na frase “eu sempre faço tudo errado mesmo?” “E agora substitua por” é já me saí melhor, mas se eu me dedicar mais posso recuperar”.

Este tipo de abordagem com suas técnicas tanto cognitivas quanto comportamentais visa despertar a pessoa para o fato de que os riscos não são tão grandes, que temos mais recursos internos do que pensamos e que vale a pena experimentar pensamentos mais adaptativos.


BJKS DA VAN

TERAPIA COGNITIVA



A terapia cognitiva comportamental é uma poderosa modalidade de psicoterapia, desenvolvida nos anos 60 por Aaron Beck na Universidade da Pensilvânia nos EUA como uma terapia breve, estruturada e orientada para o presente e vem se destacando pelo seu grande crescimento em todo o mundo como a forma mais amplamente estudada e eficaz de psicoterapia no mundo, especialmente nos casos de depressão, síndrome de pânico, distúrbios alimentares, TDAH, transtornos de personalidade e comportamentos compulsivos.

Aaron Beck MD, que é medico psiquiátrico, têm 88 anos e ainda divulga suas descobertas tem em sua filha Judith Beck, (psicóloga, diretora do Beck Institute e autora de livros traduzidos em 15 paises) e Arthur Freeman psicólogo internacionalmente conhecido, autor de 60 livros sobre psicologia cognitiva comportamental traduzidos em 15 idiomas (na foto abaixo ao meu lado) seus maiores divulgadores.

A terapia foi desenvolvida especificamente para confrontar e combater equívocos mentais. É baseada numa série de conceitos clínicos que compartilham a premissa de que embora a maioria de nós tenha informação de sobra sobre como lidar com os desafios da vida, com frequência (nossas cognições) nos abandonam justamente no momento que mais precisamos delas.

Cognição significa pensamentos. Os pensamentos são a porta de entrada para as nossas emoções e estas são a porta de entrada para os nossos atos.

A terapia cognitiva distingue-se das demais linhas terapêuticas na ênfase que dá ao papel da maneira certa de pensar para o alivio do sofrimento mental.

Ela não requer que você cavouque seu passado emocional com pré-requisito para tomar medidas para melhorar seu presente e futuro. Seu tempo de duração é em média ente 10 sessões e 20 sessões, ocasião em que independentemente do que os outros lhe tiverem feito no passado, você vai descobrir que possui dentro de si a capacidade de assumir a responsabilidade por si próprio (a).

Assumir a responsabilidade por si próprio(a) significa apropriar-se das suas próprias emoções e desenvolver crenças e esquemas de que você:

- não vai deixar que seu passado destrua seu futuro,

- não vai deixar que os obstáculos colocados no seu caminho pelas pessoas ou circunstâncias lhe impeçam de prosseguir

- E que a única pessoa que você é capaz de mudar é você mesmo(a)!

Portanto não gaste tanto tempo buscando culpados pelos seus problemas... Pode ser que você esteja coberto de razão, e os golpes que sofreu tenham sido de fato devastadores. Mas só você pode decidir se esses golpes vão derrubá-lo ou não.

Lembre-se: o que importa é o modo como cada um de nós interpreta e encara a própria vida. O que vale é aquilo que pensamos. Portanto identifique, examine e aja. Cuide de seus pensamentos, disse Platão. Com eles, você pode fazer qualquer coisa.


BJKS DA VAN

COISAS PROIBIDAS ACENDEM BRILHOS NOS OLHOS



Euzinha diria que “o canto da sereia” é o nome moderno para a palavra “diabo”, tão usada ainda pelas igrejas cristãs, mas um tanto em desuso pelas pessoas no seu dia-a-dia. São Paulo apóstolo diz que fazia o que não queria fazer e não dava conta de fazer o que tinha que ser feito. Quando li essa frase pela primeira vez, tive a sensação de que aquele escrito de mais de 2 mil anos tinha acabado de ser escrito e era especialmente para mim.

Depois descobri que muitas outras pessoas também tiveram a mesma sensação que eu. Quando observamos o que devemos fazer no nosso dia-a-dia e o que não devemos fazer, temos a distinção clara e seríamos capazes de escrever duas listas uma com as obrigações e outra com o que não devemos fazer. Sabemos que temos que levantar as 6 da manhã, mas nosso corpo pede mais cama e sem um esforço descomunal permanecemos aí por mais um tempo, ainda que a consciência fique nos cobrando.

Também não é novidade que temos que trabalhar, mas somente com um esforço trabalhamos, pois a sensação que temos é que nosso corpo nos empurra para a inércia. Jim Rhom diz que os ventos sopram em direção ao fracasso. Nada mais exato. Temos uma tendência à estagnação e o não fazer é fracasso. As coisas que devemos fazer não nos atraem, mas coisas proibidas acendem brilhos nos nossos olhos. Somente o processo educacional pode nos levar a caminhar em direção oposta ao vento da inércia e do fracasso.

Interessante é que em condições semelhantes algumas pessoas têm sucesso e outras fracasso. A grande diferença que define os resultados está nas atitudes e na disciplina de cada um. Barcos num mar com ventos em uma determinada direção velejam em direções diferentes. O que permite esse milagre é a forma como os navegadores posicionam as velas dos seus barcos.

Diariamente somos tentados a fazer o que não devemos e somente um esforço nos leva a realizar o que é nossa obrigação. O pior de tudo é que sabemos que aquilo que nos atrai tem potencial altamente destrutivo, quer em nossas relações afetivas, quer nos mecanismos de controle social legal. Há horas que parecem que tudo o que não temos é melhor do que o que temos. Isso acontece tanto com as mulheres quanto com os homens, ainda que com características diferentes.

A mulher diz que não admite ter que trabalhar para ajudar nas despesas em casa, enquanto a amiga não precisa trabalhar e usa seu tempo para fazer compras e se cuidar no cabeleireiro. Aquele professor malhado de aeróbica na academia parece muito mais interessante que meu marido. Aliás, outro dia vi meu marido saindo do banho e vi o tamanho da barriga. Cerveja, assistindo ao futebol na TV, tinha que dar nisso mesmo. A roupa que minha amiga usava na festa era muito mais linda do que a que eu usava e, certamente, foi porque o marido dela foi mais generoso. E os sapatos! Quase não fui à festa em função daquele sapato ridículo que meu marido comprou e tive certeza que não deveria ter ido quando vi o que a minha amiga usava. Há 10 anos que moramos nesse apartamento que meu marido financiou em 20 anos e minha amiga no mês passado mudou-se para um apartamento de cobertura comprado à vista por seu marido.

E o carro que o marido dela lhe deu de presente, você viu? Ela é que tem um marido legal e generoso. O meu marido mesquinho e pão duro me deu somente esse carro aqui, que me faz passar vergonha diante das minhas amigas ricas e, quando eu quero comprar aquele vestido caro, ainda alega que tem que guardar o dinheiro para pagar a prestação. Mas não são somente as mulheres que são tentadas pelo canto da sereia. Aliás, a vizinha parece uma autêntica sereia e ela me atrai muito mais que minha mulher. Meu chefe acha que é rico, mas eu vou comprar um carro melhor que o dele, nem que eu tenha que financiar em 72 meses.

O meu trabalho me dá pouco dinheiro. Sorte teve meu amigo que herdou a fábrica do pai que morreu de infarto ainda jovem. Meus pais não me deixaram nada, e minha esposa gasta e faz muitas dívidas.

A lista é imensa. Olhe-se no espelho! Você tem muito mais do que merece! Deus tem sido muito generoso e paciente contigo! Liste a quantidade de coisas boas que tem! Foque nessas coisas e continue a investir nelas. Elas são as bases sólidas sobre as quais poderá construir teu futuro. Tudo o mais não passa de canto da sereia! É muito atraente, mas se te deixas seduzir, te levará à ruína!

bjks da van

quarta-feira, 15 de abril de 2009

BRILHO FUGAZ DE UMA MENTE REPLETA DE LEMBRANÇAS-TEXTO DE DÉLIO PINHEIRO

( AMIGOS QUERIDOS DA UMA ESPIADINHA NO BLOG DO MEU QUERIDO AMIGO DÉLIO,E A COISA MAIS GOSTOSA ...HISTORIAS FACINANTES!VAI LÁ E Ñ DESGRUDA VIU!)RSRS

Délio Pinheiro
Jornalista e acadêmico de Direito
www.deliopinheiro.blogger.com.br

A tarde de primavera que avança ruidosa para as trevas da noite, parece se liquefazer, tamanha é a quantidade de água que cai das nuvens negras na fazenda distante da civilização de onde Sandoval a contempla, absorto e saudoso. Seu coração de matuto também troveja na mesma cadência da tempestade, e também se liquefaz de saudade de um tempo impreciso de sua infância, quando descobriu o doce mourejar da água da chuva, que escoava pela bica diretamente em seu corpo de criança, e do cheiro inebriante do biscoito de chuva que sua saudosa mãe fritava no fogão a lenha em dias longínquos como aquele que ele observava de sua janela.

O cheiro de terra molhada se confundia com o cheiro do quitute e ainda se misturava ao cheiro de afeto, quase palpável, em sua doce lembrança da meninice vivida ali mesmo, naquele sítio bem cuidado, mas ainda assim esquecido.

Sandoval jamais ouviu falar de Aubrey de Grey, e certamente este jamais saberá quem é nosso matuto, que vive na região de Claraval, município de Montes Claros, no norte das Minas Gerais. Grey é um brilhante cientista que acredita que o ser humano pode um dia ser imortal, ou, numa perspectiva menos otimista, viver alguns séculos com saúde e viço. Ele trabalha, em seu laboratório londrino, tentando reverter os processos químicos que desencadeiam os danos que ocorrem às células de nosso organismo, evitando assim o envelhecimento e a morte celular.

Seria a descoberta do milênio. A chave que nos permitiria prolongar a juventude por tempo indeterminado e que rejuvesceria nossos velhos como no conto de F. Scott Fitzgerald, que recentemente chegou às telonas do cinema. Milhares de Benjamins Buttons remoçariam a cada dia, e nem seria preciso vender a alma, como fez um quase homônimo do cientista, o belo Dorian Gray. A descoberta estaria aí, a princípio caríssima, mas depois disponível até mesmo para os Sandovais da vida.

Basta lembrar que muito em breve, segundo pares de Aubrey Grey, por algo em torno de quatrocentos reais, qualquer ser humano poderá ter seu genoma decifrado. Antigamente seria impossível quantificar um procedimento desses para um reles mortal, mas hoje é perfeitamente crível. Portanto, é uma questão de tempo e esperança até que o doutor Grey consiga êxito em seus objetivos instigantes. Decifrar nosso código genético nos pouparia de doenças como o câncer, que seria tratado antes mesmo de se manifestar.

Sandoval talvez nunca saiba de algo assim. Seu único vínculo com o mundo é um rádio de pilha constantemente ligado nas emissoras AM de Montes Claros, com suas modas de viola ao cair da tarde.

Mas naquele momento o único ruído que se nota em seu humilde rancho é o farfalhar da chuva, que tem o poder de transportá-lo para dias amenos, longe da lembrança atroz que o empréstimo não saudado com o banco lhe provoca e da dor da perda de sua amada, tão recente e amarga, que lhe assalta repentinamente.

Lágrimas espessas, quase do tamanho dos pingos da chuva, brotam-lhe da mais recôndita esquina de sua alma sertaneja, quando se dá conta que a noite escura e sem estrelas, que se sobressai, será na mais completa solidão.

Não, Sandoval nem desconfia que nos Estados Unidos um grupo de pesquisadores acredita que em breve será possível apagar de nossas mentes todas as lembranças ruins, alterando uma enzima misteriosa que existe em nosso cérebro. As mentes brilhantes de lá fizeram os experimentos em ratos e os resultados foram animadores. Os pobres roedores se esqueciam de seu sofrimento e viviam seus dias confinados na mais absoluta felicidade artificial.

Humanos e ratos tem muito em comum, portanto é uma questão de tempo, e possivelmente dinheiro, para apagar de nossas lembranças os momentos de desgosto, de ingratidão e de inveja que vivemos em nosso cotidiano, e também apagar para sempre a dor lancinante de perder um ente querido ou mesmo de ver nosso time do coração ser rebaixado para a segunda divisão.

Mas o que seria de nós, talvez perguntasse Sandoval, se um dia soubesse dessas coisas que relato, vivendo sem data para nos encantarmos, absolutamente errantes e desumanizados?

O que nos confere alguma virtude é o fato de sabermos nossas limitações. É o estranho dom de perceber que dia menos dia, talvez numa tarde chuvosa como aquela, como um sinal inequívoco de boa sorte, partiremos rumo ao desconhecido. Isso torna a vida um assombro e um milagre que precisa ser saboreado com ardor.

Pensando bem, o doutor Grey e os cientistas americanos deveriam conhecer Sandoval, um brasileiro como tantos outros: que ri ao se recordar da infância feliz e que chora quando se lembra das perdas que teve ao longo da vida atribulada. Mas que, ao anoitecer, e com a chegada pacificadora do estio, matuta que ainda pode haver uma esperança, desde que o fruto nasça graúdo, que o produto tenha preço no Mercado Municipal e que o banco, como em um milagre divino, o anistie de seus débitos.

Uma vida cingida em meio à tempestade, mas que vale a pena justamente devido a alguns lampejos, como os relâmpagos que alumiam as trevas e refletem, mesmo que num átimo, sua beleza complexa. Uma vida humana tem Sandoval, demasiadamente humana.

BJKS DA VAN